domingo, 23 de julho de 2017

JUNTOS CONTRA A ALDRABICE



“A Altice não é flor que se cheire”, título do artigo de opinião que Nicolau Santos assina no Expresso Economia deste sábado condiz exactamente com aquilo que muitos portugueses começam a percepcionar sobre aquela empresa de telecomunicações, fundada e liderada pelo bilionário francês Patrick Drahi, com sede na Holanda e presente em vários países, entre os quais Portugal.
Quando se instala num país, a Altice mune-se das melhores equipas de advogados que procuram todos os buracos existentes na lei para levarem por diante os seus execráveis intentos. Portugal não é excepção, como se tem vindo a constatar, o que já levou a uma grande manifestação de trabalhadores da PT, fortemente ameaçados de despedimento caso não seja colocado um travão nos malévolos desígnios da Altice, dona da PT. Estamos perante mais um caso em que a opinião pública pode ter um papel determinante caso a imagem daquela empresa seja fortemente colocada em causa.
A preocupação do primeiro-ministro e dos partidos de esquerda com o destino da PT vem tarde. Com efeito, a Altice comprou a PT Portugal por €5,7 mil milhões aos brasileiros da Oi em 2015. Foi um negócio entre empresas estrangeiras. Sim, a operação teve a bênção do Governo de então, mas o Estado português não pode vir agora colocá-la em causa. E quando a Altice avança para a compra da TVI, detida pela Prisa, é de um negócio entre duas empresas europeias que se trata.
A preocupação com a PT vem tarde. A compra foi em 2015. E o nome vai mudar para Altice. A PT, como a conhecemos, já não existe
Dito isto, há ou não razões de preocupação? Há e são muitas. Desde logo pelo perfil do fundador e presidente da Altice, Patrick Drahi, que tem nacionalidade israelita, francesa e portuguesa. Quando comprou a Cabovisão em 2015, a sua primeira aquisição em Portugal, disse: “Não gosto de pagar salários. Pago o menos possível.” E um excelente trabalho publicado esta semana na revista “Visão” diz que ele “trata as pessoas com desprezo desde o primeiro dia”. Poderiam ser só palavras do próprio ou de quem não gosta dele. Mas não são. Na Cabovisão, na ONI e depois na PT, as empresas que já comprou em Portugal, a Altice tem-se comportado como um típico raider financeiro: lança de imediato um ultimato aos fornecedores, impondo-lhes uma descida drástica no preço dos serviços que fornecem (no caso da PT, o corte foi de 30%); e faz despedimentos coletivos ou cria situações de enorme desconforto aos trabalhadores (retirada de benefícios sociais e de fringe benefits, cortes de parte dos salários, eliminação de postos de chefia, colocação noutras empresas do grupo ou associadas) que levam muitos deles a demitir-se. A estratégia tem um único objetivo: obter rapidamente cash pelo corte dos custos para fazer face à montanha de endividamento do grupo, que ascende a €82,1 mil milhões (!). É que Drahi faz aquisições atrás de aquisições, mas com base no dinheiro dos bancos (a quem deve perto de €50 mil milhões), uma corrida que tem tanto de embriagadora como de perigosa. Drahi discorda, claro: “Se parar com o meu desenvolvimento ‘bulímico’, por assim dizer, dentro de cinco anos não terei dívidas. E depois? Isso seria idiota porque durante cinco anos não teria registado crescimento”, disse na Assembleia Nacional francesa.
O que Drahi pretende é desenvolver um grupo multinacional de telecomunicações e media, para combater gigantes como a Google, Facebook, Amazon, WhatsApp e Yahoo, que utilizam sem pagar os suportes digitais construídos e pagos pelas telecoms e os conteúdos produzidos pelos media. Só que esta estratégia de integração já foi tentada e correu mal em todo o mundo. Com Drahi vai correr bem? Logo veremos. Mas quando se começa a pagar mais pelo que se compra do que aquilo que vale (caso da TVI), isso é sinal senão de desespero, pelo menos de fuga para a frente, que costuma acabar sempre mal.

FRASE DO DIA (600)


São inqualificáveis os comentários da Direita [sobre a situação na PT]: preocupa-se com a possível "perda de valor" que possa estar a acontecer (qual valor e qual o seu destino?) e mantém um criminoso distanciamento da situação dramática dos trabalhadores.

A ALTA EFICÁCIA DO BLOCO NO PARLAMENTO



Não se conseguem estes patamares de eficácia sem muito trabalho, empenhamento e competência na defesa dos interesses das populações. O problema do Bloco e da esquerda em geral é que informações como esta são muitas vezes sonegadas à opinião pública ou quando vêm à estampa quase não lhes é dado o devido relevo. Todos os dias temos provas destas situações. 

sábado, 22 de julho de 2017

CANDIDATO AUTÁRQUICO DO CDS, RACISTA E XENÓFOBO



Neste excerto de uma crónica publicada no Diário as beiras de hoje, podemos constatar com toda a facilidade as posições assumidamente racistas do candidato do CDS à presidência da C.M. da Figueira da Foz.
A Dra. Cristas que reprovou tão vivamente as considerações racistas de André Ventura, cabeça de lista da coligação PDS/CDS à Câmara de Loures, a ponto de lhe retirar o seu apoio, tem, afinal, dentro da sua própria casa política exemplares do mesmo quilate, o que não é de admirar.
Concretamente, é caso para perguntar que posição irá tomar agora a dirigente máxima do CDS em relação ao seu militante acima referido?

CIGANOFOBIA


Excerto da crónica que José Manuel Pureza assina no Diário as beiras de hoje, muito a propósito de um tema actualíssimo. O texto integral poderá ser lido aqui

CITAÇÕES


[André Ventura] quer ser conhecido no país pelo modo Trump.
(…)
Fazer-se amado pela extrema-direita ([André Ventura] “é um dos nossos”, diz com orgulho o PNR) é um sinal político, aliás prejudicial do ponto de vista eleitoral, mas acho que há muito mais nesta história.
Francisco Louçã, Público (sem link)

[André Ventura] finge ignorar que fala da comunidade étnica mais condenada pela justiça e mais vigiada pelas autoridades policiais deste país em proporção à sua dimensão demográfica.
(…)
É a mais velha convicção das direitas: muitos pobres são criminosos, os criminosos têm de ser vigiados, logo os pobres têm de ser vigiados.
(…)
[O preconceito racista] ele está bem representado, como se vê, nos partidos da direita clássica, como o PSD.
Manuel Loff, Público (sem link)

[O racismo e a xenofobia] na essência, comungam do princípio de rejeitar e excluir os que são considerados "estranhos" ao direito a tratamento igual.
(…)
Há evidências que tornam cristalino como é profundo o racismo em Portugal — por mais dissimulado que seja.
São José Almeida, Público (sem link)

O medo nasceu para fazer medo aos que vivem nos reinos do medo.
(…)
As ditaduras não querem pessoas adultas, mas gente cercada de medos.
Domingos Lopes, Público (sem link)

O racismo em Portugal é de baixa intensidade, invisível no quotidiano da maioria na qual gera indiferença e de alta intensidade e quotidianamente sentido nas suas vítimas.
(…)
O racismo em Portugal é um racismo simultaneamente herdado e culturalmente embutido na história que se ensina nas nossas escolas.
Pedro Góis, investigador do CES, Público (sem link)

Era uma questão de tempo até termos, em Portugal, candidaturas como a de André Ventura com a sigla dos partidos ao arco constitucional.
Pedro Adão e Silva, Expresso (sem link)

O facto do tal Ventura concorrer por um dos principais partidos é o primeiro aviso: estamos a ficar maduros para um Trump.
Daniel Oliveira, Expresso (sem link)

A PT, como a conhecemos, já não existe.
Nicolau Santos, Expresso Economia (sem link)