domingo, 22 de outubro de 2017

OBVIAMENTE NÃO PODEMOS CONFIAR NO LONE STAR


Nicolau Santos, Expresso Economia

CITAÇÕES (continuação)


As estratégias de conflito, usadas na Europa pela extrema-direita, têm entre nós assento na Assembleia da República, revelando o verdadeiro rosto de quem lhes dá corpo.

Só com um novo impulso de investimento público, que rapidamente recupere os postos de trabalho perdidos e crie novos em setores estratégicos, podemos ter um território ocupado e capaz de prevenir futuras catástrofes.

[Em Portugal temos assistido à] degradação do Estado Social e da capacidade de resposta em situações de emergência por falta de investimento.
(…)
Uma Europa de cooperação, se é que alguma vez a tivemos, não é uma Europa de concorrência entre os diferentes Estados-membros.
(…)
Queremos um aprofundamento e uma integração europeia de divergência, não é de convergência.
(…)
Desobediência às imposições de sanções a países, como fomos vítimas - com a tentativa que houve de colocar sanções a Portugal e a Espanha por incumprimento do défice que, na verdade, tinha sido cumprido.
(…)
Queremos continuar a exigir a conferência sobre as reestruturações das dívidas públicas.
Marisa Matias, entrevista, Público (sem link)

É preciso que a política não seja um permanente cálculo pré-eleitoral.
Pedro Santos Guerreiro, Expresso (sem link)

Vivemos um tempo de desafetação face à política.
Pedro Adão e Silva, Expresso (sem link)

Só mesmo Assunção Cristas ajudou Costa, apresentando uma moção de censura que tresanda a oportunismo e une a maioria parlamentar.
Daniel Oliveira, Expresso (sem link)

A imagem de impotência, insegurança e perigo pode afastar parte dos fluxos turísticos que têm vindo a afluir ao país.
(…)
Os Orçamentos do Estado não são peças inócuas, refletem opções políticas e ideológicas – e análises conjunturais.
Nicolau Santos, Expresso Economia (sem link)

[Empresas como o Facebook] são grandes máquinas de fazer dinheiro que geram uma riqueza gigantesca, que não precisa ser distribuída e pode ser mantida entre uns poucos sortudos nestas empresas. [Uma bomba-relógio de desigualdade].
Paul De Grauwe, Expresso Economia (sem link)

sábado, 21 de outubro de 2017

RAQQA É LIBERTADA MAS TRUMP GUARDA O MÉRITO PARA SI


Legenda: Forças Democráticas Sírias
Enquanto os curdos festejam a conquista de Raqqa ao Daesh, Trump diz na televisão que os méritos da operação são todos dele.

CITAÇÕES


No conjunto, as medidas que estão no projeto de Orçamento beneficiam os recibos verdes.
(…)
Os recibos verdes não precisam de votos piedosos nem que se lance a confusão. Precisam de justiça e que se faça caminho.

Os mecanismos de ataque aos fogos são um emaranhado incompetente, agravado pelo apetite partidário (o que levou o PSD-CDS a assaltar antes os lugares de mando na protecção civil e o PS a fazer o mesmo este ano).
(…)
Nada se resolverá enquanto as empresas eucalipteiras, que gerem 200 mil hectares, promoverem outros 700 mil hectares de plantações da espécie.
(…)
O que faz arder Portugal são as matas de eucaliptos e pinheiros abandonados por quem não tem os meios, se tem a vontade de cuidar da floresta.
(…)
Temo por isso que nada saia do Conselho de Ministros sobre a floresta, além da regulamentação da lei dos cadastros aprovada há dois meses.
(…)
Portugal usa 20% do seu orçamento para os fogos (vinte vezes inferior ao de Espanha), para limpeza e prevenção e 80% para extinção dos incêndios.
Francisco Louçã, Público (sem link)

Por que é que o que se fez de forma lesta para o urbanismo não se faz para o espaço não urbano?
(…)
Estes fogos apenas descarnaram o país esquelético que fomos criando.
José Reis, Público (sem link)

[Estes incêndios] explodem com toda a brutalidade porque resultam claramente de uma ausência de um projeto de desenvolvimento para o interior do país.
(…)
Os incêndios acontecem porque o país cresce desmesuradamente no litoral e vai morrendo no interior.
(…)
A gritaria que a direita mais sofisticada ou mais bruta utiliza nos incêndios para atacar a política do Governo no seu todo e pedir a sua queda é própria de uma mentalidade de terceiro ou quarto mundos.
(…)
[A oposição ao Governo] sem ideias para sair da política de redondel de enriquecer os ricos e empobrecer os pobres, fica à espera do que a natureza lhe possa trazer para dar provas que existe.
Domingos Lopes, Público (sem link)

[Em Espanha] usa-se a lei e a Constituição para fingir que se soluciona pela força algo que só uma negociação um dia poderá começar a resolver.
Sofia Lorena, Público (sem link)

Esta será a derradeira oportunidade de olhar para o interior do país, abandonado e envelhecido, sob pena de assistirmos à desertificação definitiva de uma parte substancial do território.
Amílcar Correia, Público (sem link)

UMA OPORTUNIDADE ÚNICA PARA RECONSTRUIR EM NOVAS BASES


Com o título “Seria um crime desperdiçar esta oportunidade”, José Vitor Malheiros (JVM) assina hoje no Público um excelente artigo de opinião onde aborda as recentes catástrofes associadas aos incêndios que assolaram de forma dramática a parte norte de Portugal.
Em vez de apresentar um rol de nomes de culpados, tão do agrado de muita gente que comenta a situação, JVM assenta a sua escrita na ideia de que o nível de destruição foi tão radical que permite uma reconstrução em novas bases como que partindo do zero em muitos casos e, portanto, tomando as medidas adequadas “para evitar que uma vaga de incêndios desta dimensão” jamais possa ocorrer.
Todas as catástrofes são lamentáveis. E todas exigem uma liderança determinada por parte dos dirigentes, para uma rápida adopção de medidas para minimizar os danos humanos e materiais. Mas as catástrofes são também, sempre, oportunidades para reconstruir. E para reconstruir de forma tanto mais radical quanto mais destrutivos tiverem sido os seus efeitos. Porque as grandes destruições obrigam a fazer tudo de novo e porque a determinação de todos em encontrar soluções que permitam evitar uma futura catástrofe é tanto maior quanto mais destrutivo tiver sido o efeito da última.
É por isso que, depois dos incêndios dos últimos dias e dos últimos meses e do seu macabro balanço, é o momento de exigir do Estado — do Governo, das autarquias, dos organismos do Estado — que ponha em prática todas as medidas necessárias para evitar que esta tragédia se volte a repetir. Não apenas para evitar que uma vaga de incêndios se salde de novo por este número elevadíssimo de mortos mas, de forma mais radical, para evitar que uma vaga de incêndios desta dimensão possa ocorrer de novo.
Hoje, depois de Pedrógão e depois do 15 de Outubro, existe uma consciência alargada de que algo de muito errado ocorreu em Portugal nas últimas décadas em termos de ordenamento do território, de política florestal, de gestão das florestas, de organização da protecção civil, de prevenção e combate aos incêndios, de fiscalização das florestas, de combate à desertificação do interior, de transferência de conhecimento para os decisores políticos, de formação profissional em todas estas áreas, etc.
Sabemos que todos permitimos que, em todos estes domínios, a situação se degradasse para além do aceitável. E sabemos que não é possível adiar por mais tempo a adopção das medidas necessárias nem a aplicação no terreno dessas medidas. Como sabemos que muitas dessas medidas serão difíceis de pôr em prática e que muitas afectarão interesses particulares. Hoje, os cidadãos portugueses sentem que fomos longe de mais no desleixo e na cedência a interesses ilegítimos e sabem que é necessário fazer alguma coisa.
Seria criminoso que o Governo desperdiçasse esta oportunidade. Seria imperdoável que todas estas vidas perdidas não pudessem pelo menos servir para evitar outras mortes e para resgatar outras vidas. O que a tragédia dos incêndios de 2017 já fez, pela sua dimensão, foi passar uma clara procuração ao Governo para resolver o buraco em que estamos. Uma procuração com carta-branca.
Hoje, depois de Pedrógão e depois do 15 de Outubro, depois de cem mortos e de um país em cinzas, o Governo possui mais do que o necessário apoio popular para tomar medidas radicais eficazes. Hoje não há desculpas para não tomar todas as medidas necessárias para prevenir os fogos, para preservar a floresta, para defender as vidas e o sustento das populações. Pode-se tomar medidas compulsivas de emparcelamento ou fraccionamento onde elas se revelem necessárias, expropriar terrenos onde isso for necessário para criar as infra-estruturas de prevenção e combate aos fogos, pode-se mandar cortar as árvores que se devem cortar, impor a diversificação das espécies onde ela seja aconselhável, restaurar os Serviços Florestais e repor os guardas florestais que faltam, pode-se ordenar o envolvimento das Forças Armadas na vigilância e combate a incêndios, pode lançar-se um programa de envolvimento das populações para a prevenção e combate aos fogos, podem aplicar-se as sanções necessárias a todos os prevaricadores, podem criar-se os corpos de sapadores florestais e de bombeiros profissionais, podem lançar-se medidas fiscais que incentivem a correcta gestão da floresta, podem impor-se responsabilidades de limpeza das matas, podem incluir-se de novo no Estado as responsabilidades que foram criminosamente negligenciadas quando saíram da sua alçada. Não há dinheiro? Até Bruxelas aceirará esse acréscimo ao défice... e sai mais barato que os incêndios.
António Costa pode fazer hoje na floresta o que o marquês de Pombal fez na Baixa e até poderia redesenhar a régua e esquadro as manchas florestais se o quisesse. Nunca voltará a haver outra oportunidade como esta. Seria criminoso (e estúpido) não a aproveitar para desenvolver o país.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

FRASE DO DIA (673)


O que alguns poderosos escritórios de advogados puseram a correr na imprensa, sugerindo que estava em curso um "brutal aumento de impostos para os recibos verdes", não é verdade.

COMO A INDÚSTRIA MINEIRA E ACORDOS COMO O NAFTA ESTÃO A DESTRUIR O MÉXICO


A exploração levada a cabo pelas grandes potências sobre os países mais pobres, assume muitas vezes a forma de tratados, com a finalidade aparente de facilitar as trocas comerciais entre os parceiros mas que na prática visa beneficiar os países mais ricos. É assim com o NAFTA (Tratado Norte-americano de Livre Comércio formado principalmente pelos EUA, Canadá e México).
Numa altura em que se debate a renegociação do NAFTA, acordo comercial que serviu apenas para legalizar a invasão de empresas canadianas e norte-americanas no México, trazendo consigo ainda mais destruição, onde ficam os direitos dos povos indígenas e dos agricultores a quem as terras têm sido roubadas para a mineração, deixando-os na miséria a ao abandono?
Uma vez que proteger os direitos indígenas não é compatível com o desejo ardente por mais lucros por parte da mineração canadiana, o Canadá – por via da tão aclamada diplomacia e das embaixadas colonizadoras que mantêm no México - não só tem difundido a ideia de que o investimento na mineração é bom, como ainda emite alertas aos turistas endinheirados que vêm em busca de um México paradisíaco para não se aproximarem de zonas sobre as quais causaram grande destruição, mas que dizem ser perigosas por lá viverem indígenas e agricultores que ainda não foram devidamente domesticados pelo capital.
Por este motivo, a REMA, Red Mexicana de Afectados por la Minería, exige o fim da operação institucional e política que tem sido levada a cabo no México através de eventos diplomáticos que servem apenas para legitimar a acumulação de riqueza por parte do investimento privado estrangeiro à custa da destruição das populações locais; assim como exige o fim de políticas e projectos legais que alimentam a falsa ideia de que se as empresas subscreverem códigos éticos de Responsabilidade Social - que em nada as obriga, na verdade! - está tudo bem.
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