segunda-feira, 2 de maio de 2011

ARTIGO DE OPINIÃO

O que é que o Algarve deve exigir ao próximo governo. Porquê? (*)
O Algarve tem sido muito maltratado pelos nossos governantes, tanto pelos governos do PSD como pelos governos do PS. Nos últimos anos, a (des)governança de Sócrates está a provocar uma espécie de dobre de finados de uma região que, pelas suas características intrínsecas e potencialidades específicas, podia ser um “paraíso” à beira mar plantado. Mas não, transformou-se num “inferno”, mergulhado numa crise gravíssima, com cerca de 30 mil desempregados, milhares de precários, com inúmeras micro e pequenas empresas a fecharem as portas todos os dias, com a desertificação do interior a aumentar e as cidades do litoral transformadas em urbes de betão irreconhecíveis e insuportáveis para se viver com alguma dignidade.
Como se isto não bastasse, os serviços públicos regionais degradaram-se, com destaque para o Serviço Nacional de Saúde e a Escola Pública, onde milhares de utentes não têm médico de família e esperam meses para conseguir uma consulta e, a constituição de mega-agrupamentos escolares só provocam mais burocracia e retrocesso no sistema de ensino, tudo em nome do famigerado défice.
Pior ainda – agora o governo PS, com o apoio do PSD, prepara-se para introduzir portagens na Via do Infante. Estes partidos sempre prometeram que o Algarve não teria portagens, agora, mais uma vez estão a enganar os algarvios. Portajar uma via, que nem tão pouco foi construída como uma SCUT, sendo financiada pela União Europeia, uma via estruturante que chegou tarde à região e que se impunha como alternativa à EN 125, para combater as assimetrias e dinamizar a sociedade e a economia regionais. Uma flagrante injustiça e um autêntico crime colocar portagens na Via do Infante pois, além de transformar de novo a EN 125 na “estrada da morte”, vai provocar mais falências de empresas e mais desemprego numa região que vive praticamente do turismo. O PS e o PSD deverão ser responsabilizados por toda esta situação.
Ao próximo governo, o Algarve deve exigir, em primeiro lugar, a suspensão imediata das portagens na Via do Infante, se entretanto forem introduzidas.
É preciso atender e ouvir a voz e as reivindicações dos algarvios que, nos últimos meses realizaram várias acções de protesto, com destaque para a grande demonstração de 19 de Março, em que quase 10 mil pessoas deram azo à sua indignação. Deve haver um combate eficaz ao desemprego e à precariedade, com apoios fiscais e subsídios à criação de emprego, a aposta no emprego social e na reabilitação urbana. Outra exigência é a defesa intransigente da Escola Pública anulando todos os mega-agrupamentos, e a defesa do Serviço Nacional de Saúde melhorando os serviços e construir de vez o Hospital Central. Exigir a electrificação da ferrovia regional e a modernização do material circulante, acabar com o regime dos PIN’s e combater a especulação imobiliária. Finalmente, implementar a criação da Região Administrativa do Algarve, uma promessa há muito prometida e colocada sempre na gaveta pelo PS e PSD.
Se estas exigências não forem satisfeitas, a paciência dos algarvios poderá esgotar-se, pois estão fartos de esperar e de ser enganados. E a revolta que começou no Norte de África poderá alastrar ao Algarve. Depois não digam que não foram avisados.

João Vasconcelos

(*) Publicado no jornal “Barlavento”

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