sexta-feira, 31 de outubro de 2014

TRISTE REALIDADE CRIADA PELO SISTEMA


Vivemos num mundo de enganos dominado pelos ricos e poderosos.
A Leya nasceu em 2008 como grupo editorial e actualmente lidera o mercado português, assim como o angolano e o moçambicano.
O Prémio Leya foi criado em 2008 “com o objectivo de distinguir um romance inédito escrito em português”. O valor atribuído ao vencedor é de 100 mil euros.
Até aqui, tudo bem, dado ser natural que se procure premiar “novos talentos da língua portuguesa” assim como proceder à sua promoção internacional.
É a partir deste ponto que surge a parte negra do prémio ou seja, de onde vem o dinheiro a atribuir ao laureado. Segundo um artigo de opinião que podemos ler hoje no Público (*), somos levados a crer que – resumindo em poucas palavras – uma parte significativa do valor do prémio vem precisamente dos bolsos do autor distinguido…
O Prémio Leya, ao qual podem concorrer obras inéditas de ficção narrativa em língua portuguesa (e cujo vencedor deste ano foi conhecido na semana passada), tem um regulamento que contraria o modo como ele é anunciado e publicamente percebido. Em primeiro lugar, a decisão do júri, “constituído por, pelo menos, sete destacadas personalidades do mundo literário e cultural”, exerce-se sobre um corpus de, no máximo, dez inéditos, seleccionados pela editora entre um total de algumas centenas de concorrentes (um número tão espantoso que é fácil adivinhar que a maior parte nem aguenta uma triagem feita após a leitura da primeira página ou, até, do primeiro parágrafo). Portanto, o júri escolhe num universo restrito resultante da escolha feita por outrem, que é uma parte interessada e não neutra. Em segundo lugar, o prémio, no valor de 100 mil euros, parecendo enorme para a nossa escala, tem uma contrapartida que não é assim tão generosa: o autor abdica de receber direitos de autor até aos 85 mil exemplares vendidos e “cede à Leya o direito exclusivo de explorar comercialmente [o livro] sob todas as formas e em todas as modalidades, em todo o mundo”. É provável — quase seguro — que o montante do prémio seja uma quantia muito superior ao que o autor ganharia se o livro não beneficiasse desse veículo que potencializa as vendas e outros modos — eventuais — de rendimento. É porém completamente falso dizer que o autor ganhou um prémio de 100 mil euros, como se não estivesse a ceder, como forma de pagamento, os direitos de autor. Este prémio funciona assim como um contrato e não como uma doação: a editora simula que está a oferecer 100 mil euros, mas na verdade o que está a fazer é ceder o capital de prestígio — simbólico — que angariou através de determinadas regras do campo literário (antes de mais, mobilizando “destacadas personalidades”, que têm uma função legitimadora) e a organizar o ritual de modo a converter o capital simbólico em capital real. Não há nada de novo a assinalar neste mecanismo (cujo regulamento é público e transparente), a não ser o facto de se tratar de um contrato que precisa de ser dissimulado como prémio para que se criem as condições — certamente não muito fáceis — para que as duas partes ganhem a aposta. A questão mais interessante que aqui se coloca é a seguinte: da “ecologia” literária onde se desenvolvem estas espécies está ausente qualquer concepção de uma literatura autónoma (o que não exclui que livro premiado contradiga o “meio” de onde nasceu o prémio). Um prémio deste tipo situa-nos na condição de uma literatura como género editorial. É essa hoje, também, a condição de uma “literatura mundial”, que já nada tem a ver com o conceito de Weltliteratur que Goethe anunciou nas suas conversas com Eckermann. Esta nova “mundialidade” da literatura não é um estado que caracteriza um conjunto de obras, mas um processo pelo qual o universalismo literário de uma world fiction se conseguiu impor por todo o lado. Esta nova literatura mundial diz-nos muito sobre o editorialismo (noção que abrange muito mais do que as editoras de livros), mas muito pouco sobre a literatura. Há uma fábrica do universal que transformou toda a ecologia literária, de tal modo que se justifica esta pergunta: para onde vai a literatura? E a resposta, fácil de obter quando se entra hoje numa livraria, é esta: vai no sentido do seu desaparecimento, ou pelo menos de uma forma de desaparecimento que nos faz ver claramente quão exíguo é o espaço público que lhe está reservado. 
(*) A ecologia literária

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

ASSASSINO ECONÓMICO




Os Estados Unidos da América não existem, nem a democracia. Existem apenas a IBM, a ITT e AT&T, DuPUnion, Dow, Union Carbide e a Exxon. Estas são as nações do mundo de hoje.
Este importantíssimo documento tem cerca de um ano e meio e foi muito pouco divulgado. Quando o visionamos percebemos porquê... Ele exprime de forma muito clara que o mundo de hoje é dominado pelos interesses de poderosíssimas empresas, com força e influência muito maiores que um imenso rol de países, alguns deles de enormes dimensões. Essas “corporações” não olham a meios para atingir os seus fins, como se pode constatar através do visionamento de todo o impressionante documento que recomendamos vivamente.

LINGUAGEM APROPRIADA


Mais Aqui (vale a pena)

terça-feira, 28 de outubro de 2014

“IRISH BAR LA GOMERA” O NOVO LIVRO DE JOSÉ CONRADO DIAS



José Conrado Dias, que já tinha publicado em 2013, na Arandis Editora, o livro “Vou-me Embora” (Dja-m bá nha Kaminhu) cuja acção se desenrola essencialmente no espaço geográfico de S. Vicente (Cabo Verde), Lisboa e Portimão, surge agora com o Irish Bar La Gomera, uma narrativa ficcional onde o autor situa as vivências, fragilidades e sonhos dos seus personagens entre La Gomera  (Ilhas Canárias), Funchal e Portimão.
Estamos na presença de um romance que se lê de um só fôlego e que nos agarra do princípio ao fim. Parabéns ao seu autor.

PONTO DA SITUAÇÃO DO PESADELO (ONTEM)



segunda-feira, 27 de outubro de 2014

PROCLAMAR VERDADES A BRINCAR



O QUE É O TTPI?




O TTPI (Transatlantic Trade Investiment Partnership) constitui uma nova ofensiva desreguladora dos mercados, lançada pelo grande capital transnacional euro-norte-americano contra os povos.
Os beneficiados com os tratados de livre comércio são unicamente os bancos e as grandes empresas.

domingo, 26 de outubro de 2014

VITÓRIA DE EVO MORALES NA BOLÍVIA COM AMPLA MAIORIA (há duas semanas)




A reeleição do Presidente Evo Morales (há duas semanas) na Bolívia, com cerca de 60% dos votos foi pouco referida por cá provavelmente por significar uma esmagadora derrota da direita num país da América Latina.
O bom momento económico que o país vive, com um crescimento de 6,4% segundo estimativa do FMI, acompanhado de uma melhoria significativa dos indicadores sociais, são apontados por analistas como alguns dos motivos pelos quais Morales goza do apoio maciço da população.

“REESCREVER A HISTÓRIA” EM DEMOCRACIA


Uma das características dos regimes totalitários é levarem a cabo acções que receberam a designação genérica de “reescrever a história”. Ocultam-se factos pouco abonatórios para esses regimes, ao mesmo tempo que se exaltam outros de menor importância, chegando-se ao ponto da invenção pura e simples de feitos levados a cabo por chefes dotados de poderes muito próximos dos de deuses mas facilmente desmascaráveis. Num regime democrático nada disto poderia acontecer, pensamos nós, dada a liberdade de os denunciarmos. Isso é verdade mas também não é menos verdade que, mesmo em democracia, é muito grande a tentação de exaltar feitos de figuras menores cujo destino é o caixote de lixo da história, por muitas homenagens que se lhes prestem e por muitos elogios de que sejam alvo. É que, factos são factos.
No artigo de opinião que assina este sábado no Público, o historiador e investigador Manuel Loff aponta exemplos de figuras sobejamente conhecidas da opinião pública, alvos dos maiores elogios mas que carregam fortes e indesculpáveis responsabilidades pela “asfixia social em que vivemos” e que não podem ser branqueadas. Um texto muito claro e de fácil leitura.
Em poucos dias, foram homenageadas duas figuras públicas com responsabilidades muito diretas na asfixia social em que vivemos. A Câmara Municipal da Covilhã decidiu homenagear José Sócrates em “merecido e singelo” reconhecimento pelo trabalho desenvolvido “a favor da cidade”. Eu ainda não tinha fechado a boca do espanto quando se noticiou que, na mesma cidade, a Universidade da Beira Interior (UBI) concedia um Doutoramento Honoris Causa a Zeinal Bava, o homem que foi decisivo a desfazer em fumo anos de trabalho da Portugal Telecom!
E lembrei-me que, há um ano, o ISEG, de Lisboa, decidira homenagear da mesma forma Ricardo Salgado, o homem que, segundo João Duque, “é um exemplo de liderança (...), tem as relações nacionais e internacionais certas, que delas faz a gestão sensata, e zela pelo ativo mais preciso da atividade bancária: a confiança”, com as “qualidades de liderança em tranquilidade, (…) de decisão em serenidade” (discurso do padrinho do candidato a Doutor, 11.7.2013).
Seria bom momento para discutir a função simbólica (e económica?) dos doutoramentos Honoris Causa, estes rituais que tantas vezes mostram falta de independência e elogio babado aos poderosos, com os quais as sociedades pós-aristocráticas em que vivemos procuram saciar a nostalgia que as elites sempre sentiram pela nobilitação – mas não é o que farei. O que me indigna é a vontade deliberada, acintosa, de reescrever a História, de procurar uma glória totalmente imerecida para encobrir precisamente o contrário daquilo por que se homenageia!
A UBI, em plena crise de sobrevivência (há anos que os vários governos ameaçam dissolvê-la), não quis desistir da cerimónia depois de se ter sabido da brilhante decisão tomada por Bava em arriscar a sobrevivência da PT em favor de uma aventura com essa gente tão “sensata” e “serena” do Espírito Santo. Aparentemente, ela terá sido produto daquilo que, segundo José Tribolet, o catedrático do Instituto Superior Técnico que fez as vezes de padrinho de Bava na UBI, “carateriza a liderança” do ex-patrão da PT: “ser transparente”, “ter uma visão clara e manter o foco”, e, o melhor de tudo, “fazer pela sorte”! (ver discurso de Tribolet no YouTube, 23.10.2014). Zeinal Bava recebera de Cavaco Silva, neste último 10 de junho, a Grã-Cruz da Ordem de Mérito Empresarial, e fizera aquele famoso favor a Sócrates de (já então...) gastar uns milhões para tentar comprar a TVI para calar a campanha que o então PM achava que havia contra ele. Entre os “ensinamentos que eu próprio retiro das suas posições públicas”, Tribolet sublinhou o de “aprender com os erros” porque “só não erra quem não toma decisões, assumindo as consequências”. Não me surpreende que em semelhante homenagem se tenha insistido tanto no “erro”; o que me pergunto é se entre as “consequências” a “assumir” estará incluída a indemnização de 5,4 milhões de euros que Bava receberá da Oi em nome não se percebe de quê, “que se acrescentam aos estimados 50 milhões que o executivo recebeu, entre remuneração e prémios, durante sua trajetória na PT e o processo de fusão com a Oi” (Valor Econômico, 8.10.2014). Minudências contratuais, seguramente deduzíveis do “fazer pela sorte”!
A CM da Covilhã, essa, homenageou o seu antigo funcionário, o engenheiro técnico que lá trabalhou nos anos 80 (lembram-se daqueles projetos que, sendo de outros, ele terá assinado para os poder viabilizar?). E Sócrates escolheu fazer autobiografia. Foi na Covilhã onde aprendeu a “valorizar o ideal da justiça social” porque nela havia “segregação social”, “racismos de classe” e “divisão entre ricos e pobres” (PT Jornal, 21.10.2014). A Covilhã e a Beira Interior terão tudo menos razões para estar contentes com o modelo de (sub)desenvolvimento que há décadas vem desertificando humana e produtivamente o interior do país, deixando que o mercado deixe morrer mais depressa, reduza a muito poucas as perspetivas de futuro, desenhe a própria paisagem, que é o que resulta da redução brutal do investimento público (-68,1% no distrito de Castelo Branco só no primeiro mandato de Sócrates), do encerramento de escolas, maternidades e centros de saúde, tudo decisões do Governo de quem também impôs portagens às SCUT que, até então, constituíam um arremedo de discriminação positiva de uma região que dela precisa – e que tudo perdeu. Mas é verdadeiramente imoral que o homem sob cujo Governo o desemprego quase triplicou, que deixou sem subsídio 60% das vítimas deste, que num ano (2010-11) tirou o RSI a 100 mil pessoas, bolsas a 20% dos estudantes, abono de família a 600 mil crianças (ver Eugénio Rosa, Ataque Global ao Estado Social em Portugal, 21.5.2011), venha dizer, três anos depois, que “aqui [na Covilhã] não havia escola para todos, aqui não havia acesso à saúde para todos e foi por isso que, de forma instintiva e natural, a valorização da igualdade fez de mim o que sou hoje: um socialista” que valoriza o “interesse coletivo”!
Este é o mesmo homem que escolheu perorar sobre a tortura como tema da sua tese de mestrado, depois de ter sido chefe do Governo de um país usado pelos americanos para transportar ilegalmente prisioneiros, detidos também ilegalmente, para prisões não menos ilegais onde se torturava contra todas as convenções internacionais. “Eu não sabia e acredito que o ministro dos Negócios Estrangeiros também não sabia! (…) [Da] política pública de tortura que a Administração Bush praticou, soube-o agora”. Clara F. Alves perguntou-lhe se não teria escolhido “um tema (…) que convida ao assentimento coletivo e à reabilitação”. Resposta: “Eu estou-me a borrifar para o que possam pensar!” (Expresso - Revista, 19.10.2013) Até aqui José Sócrates esconde o essencial: é que é mesmo “o que possam [continuar a] pensar” que o preocupa! O que ele quer é condicionar a memória futura, é escrever a História enquanto vai a tempo!
Bava e a assunção das consequências do erro; Salgado e a confiança; Sócrates e o amor pela igualdade... Todos eles partilharão, seguramente, aquela velha máxima que estas personagens costumam pronunciar quando procuram sacudir responsabilidades penais: “A História julgar-me-á!” É por isso que se empenham tanto em serem eles próprios a escrevê-la.

sábado, 25 de outubro de 2014

O CRESCIMENTO EXPONENCIAL DOS MILIONÁRIOS EM PORTUGAL NÃO SE FAZ À TOA…



TRABALHO ESCRAVO NA ENFERMAGEM



Empresa paga 510 euros a enfermeiros mas recebe mais do dobro.
O Centro Hospitalar do Médio Tejo paga 1200 euros mensais por profissional, mas estes só recebem 3,1 euros por hora, ilíquidos.
Mais Aqui